SUSANY BIANCCO







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domingo, 24 de abril de 2011

Transfobia e escola

A transfobia, que costuma ser a manifestação mais letal da homofobia e do heterossexismo, na escola encontra maneiras bastante perversas para se manifestar, negar a humanidade e excluir..O preconceito, a discriminação e a violência, que na escola atingem lésbicas, gays e bissexuais e lhes restringem direitos básicos de cidadania, se agravam enormemente em relação a travestis e transexuais. Essas pessoas, ao construírem seus corpos, suas maneiras de ser, expressar-se e agir em nítida dissidência em relação às normas de gênero, não passam incógnitas, pois elas, mais do que ninguém, não tendem a se conformar à pedagogia do armário. Não raro, ficam sujeitas às piores formas de desprezo, abuso e violência. Por estarem situadas nos patamares inferiores da “estratificação sexual”, seus direitos são sistematicamente negados e violados sob a indiferença geral..Não por acaso, diversas pesquisas têm revelado que as travestis constituem a parcela com maiores dificuldades de permanência na escola e de inserção no mercado de trabalho. Os preconceitos e as discriminações a que estão cotidianamente submetidas incidem diretamente na constituição de seus perfis sociais, educacionais e econômicos, os quais, por sua vez, serão usados como elementos legitimadores de ulteriores discriminações e violências contra elas. A sua exclusão da escola passa, inclusive, pelo silenciamento curricular em torno delas..Privadas do acolhimento afetivo, em face das suas experiências de expulsões e abandonos por parte de seus familiares e amigos, são alvo de inúmeras formas de violência por parte de vizinhos, conhecidos, desconhecidos e instituições. Com suas bases emocionais fragilizadas, travestis e transexuais, na escola, têm que encontrar forças para lidar com o estigma e a discriminação sistemática e ostensiva por parte de colegas, professores/as, dirigentes e servidores/as escolares. As experiências de chacota, ridicularização e humilhação, as diversas formas de opressão e os processos de segregação e guetização a que estão expostas as arrasta como uma “rede de exclusão” que vai se fortalecendo, na ausência de ações de enfrentamento ao estigma e ao preconceito, assim como de políticas públicas que contemplem suas necessidades básicas, como o direito de acesso aos estudos, à profissionalização e a bens e serviços de qualidade em saúde, habitação e segurança..Como os relatos ilustram, nas escolas elas tendem a enfrentar obstáculos para se matricular, participar das atividades pedagógicas, ter suas identidades minimamente respeitadas, fazer uso das estruturas das escolas (os banheiros, por exemplo) e conseguir preservar sua integridade física. Por que pode ser tão difícil e perturbador reconhecer o direito de uma pessoa ser tratada da forma em que ela se sente confortável? O nome social não é um apelido e representa o resgate da dignidade humana, o reconhecimento político da legitimidade de sua identidade social..Não raro, o currículo em ação eclode e se explicita nas atitudes dos/as professores/as frente à diferença. Com efeito, um/a docente, ao se recusar a chamar uma estudante travesti pelo seu nome social, está ensinando e estimulando os/as demais a adotarem atitudes hostis em relação tanto a ela quanto à diferença/diversidade sexual em geral. Trata-se de um dos meios mais eficazes de se traduzir a pedagogia do insulto e o currículo em ação em processos de desumanização e exclusão..Ao lado disso, é preciso sublinhar que a espacialização é um dos procedimentos cruciais dos dispositivos de poder. Bem por isso, é um dos aspectos centrais do currículo, que se verifica na esteira dos processos de divisão, distinção e classificação que este continuamente opera. A violação do direito ao acesso ao banheiro é um exemplo que mostra que os processos de espacialização são acompanhados de naturalizações extremamente sutis, que se desdobram em interdições e segregações..Uma aluna travesti dificilmente poderá, em segurança, arrumar-se diante do espelho em um banheiro masculino. Pesquisas trazem depoimentos de travestis que relatam episódios frequentes de agressões e estupros nos banheiros masculinos, em que elas acabaram punidas e não os agressores. Na escola, negar o direito do uso do banheiro conforme a identidade de gênero de alguém (e não necessariamente segundo seu sexo biológico) corresponde a negar-lhe o direito à educação. Quem não pode ir ao banheiro não pode permanecer na escola..Para que as pessoas transgênero (especialmente travestis ou transexuais) tenham seus direitos de cidadania assegurados (entre eles o de receber uma educação de qualidade), é indispensável garantir-lhes o direito de serem tratadas em conformidade com suas identidades de gênero. O reconhecimento da legitimidade da transgeneridade é decisivo para assegurar-lhes direito à autodeterminação de gênero e dignidade humana. E o que normalmente passa despercebido é que a transfobia, em todas as suas manifestações, ao negar a humanidade de travestis e transexuais, reduz a humanidade de todos/as, compromete a dignidade de cada pessoa e, na educação, não apenas impede o acesso e a permanência de travestis e transexuais na escola, mas representa um real obstáculo à qualidade da educação..A diversidade é pedagógica, e todos/as temos direito a uma educação não-sexista, não-homofóbica, não-racista, não-classista. No entanto, uma escola que permite e cultiva preconceitos e que ensina a discriminar não tem como oferecer educação de qualidade. Ao contrário, uma escola que reconhece a diversidade e que vê como legítima a expressão da diferença sexual, de gênero e de raça é uma escola melhor para todas as pessoas..



por Rogerio Diniz Junqueira INEP


domingo, 20 de março de 2011

Quem são as pessoas que se interessam e tem desejo por transexuais, ou, em sentido mais amplo, por quem sofre de transtorno de identidade de gênero?

BLANCHARD e COLLINS (1993) (Blanchard R, Collins PI. Men with sexual interest in transvestites, transsexuals, and she-males. J Nerv Ment Dis. 1993;181(9):570-5] ) realizam estudo a respeito de homens que se interessam por travestis, transexuais e homens feminilizados. Dão a esse desejo o nome de ginandromorfofilia. Afirmam que essa população é muito maior do que se imagina em função do mercado voltado para eles: publicações, revistas pornográficas, prostituição específica em ruas e em anúncios publicados em jornais diários.

Encontram três padrões de comportamento.

1. primeiro grupo, ou padrão comportamental, refere-se a homens que buscam essa população com fins românticos, de se relacionar afetivamente com eles. Não se travestem, isso é não são transexuais, travestis ou transgêneros e não fazem diferenciação de termos entre transexuais, travestis ou qualquer outro tipo; são masculinos e vivem como tal.

2. segundo grupo é aquele que se reconhece como com atividades de travestis, seja ao se vestir, seja no estilo de vida. Procuram outros para encontros sexuais ou ligações afetivas.

3. terceiro e último grupo, residual, é aquele em que se encaixam os travestis e transexuais, que não buscam alguém parecido com eles mas, sim, homens masculinos, de preferência, hipermasculinos.

Os pesquisadores ressaltam que nenhum dos integrantes das três categorias se definiu como “gay” ou homossexual. Apenas poucos se definiram como bissexuais. A grande maioria não fez referência ao seu estado civil, poucos assumiram que eram casados.

As conclusões finais são de que a grande maioria desses homens não é composta de pessoas com atividades ou comportamentos travésticos. Os ginandromorfófilos “puros” se diferenciam dos travestis “puros” por vários motivos, desde a forma como se reconhecem, esperam ser tratados (como homem ou mulher) até pela preferência de papel dominante na interação sexual. Para esses estudiosos, todas essas evidências constituem a base para a afirmação de que a ginandromorfofilia se constitui como interesse erótico separado e particular.

Fonte: wikipedia.

terça-feira, 8 de março de 2011

"NORMAL"

Hoje chegando a casa encontrei meu vizinho na garagem. Ele estava saindo do carro com uma mulher, deve ser sua namorada, uma possível noiva e talvez futura mulher dos seus filhos. “Normal”, dentro do sistema. E pensar que a meses atrás trocávamos olhares nos corredores do prédio e ele fazia questão de me esperar segurando a porta do elevador, olhava fundo nos meus olhos, muito prestativo e com interesse no olhar. Até sonhei algumas vezes que estava chegando a casa no carro dele e que tínhamos uma vida de casal.

Desta forma, hoje percebo que essa vida “normal” é para pessoas “normais”, não é para mim.

Não estou triste, pelo contrário, cada vez mais repudio esse sistema que exclui pessoas e as torna à margem da sociedade.

Estou criando meu próprio sistema...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Já existe jurisprudência para troca de nome...seja transexual ou travesti...com ou sem cirurgia...

É pelo nome que o indivíduo se identifica e são as ações, modo de vida e a condição pessoal de cada um que determinam sua verdadeira identidade. Esse é o entendimento da 8ª Câmara Cível do TJRS que, confirmando decisão de 1º Grau, atendeu pedido de travesti que buscava alterar seu nome registral de masculino para feminino, mesmo sem ter realizado cirurgia para troca de sexo.

O relator, Desembargador Rui Portanova, destacou que o tema apesar de não ser novo, é controvertido: a possibilidade de alterar o nome de uma pessoa que vive identidade diferente de seu sexo biológico. Salientou que no caso presente, o autor da ação alega que seu nome masculino não retrata sua identidade social, que é feminina, e todos a conhecem pelo nome de mulher. Relata ainda seu constrangimento em toda a ocasião que tem que revelar seu nome de registro.
O magistrado ressaltou não ser necessário classificar se a pessoa é transexual ou travesti, pois para analisar o caso é preciso apenas reconhecer sua condição de “ser humano e digno”. Enfatizou a importância de olhar “não para os critérios diferenciadores, mas para aqueles que igualam todos e permitem o pleno exercício da sua condição de pessoa humana. E esses critérios estão no reconhecimento do direito à liberdade e à dignidade humanas.”
Apontou que a autora quer se sentir bem com a condição social expressada pelo seu nome e tudo o que ele representa coletiva e individualmente. Para o magistrado, a insatisfação com um nome em descompasso com a identidade impede a pessoa de viver com dignidade e alimenta um sentimento de total inadaptação. Concluiu que é irrelevante definir se a pessoa é transexual ou travesti, ou mesmo saber se fará cirurgia para mudança de sexo, bem como a sua orientação sexual, uma vez que seu nome deve ser alterado porque se vê e é vista por todos como mulher.

Fonte: TJ - RS






terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Simplesmente amor

Simplesmente amor


Eu tive um sonho. E nele senti o mais sublime sentimento, algo forte capaz de curar todas as feridas. O amor.
Sonhei que estava sentada trabalhando, juntamente com outros colegas. Quando der repente chega um rapaz maduro, bonito, bem trajado. Olho, e o vejo conversando com alguns colegas assuntos profissionais. Parece que o conheço, mas por algum motivo abaixo a cabeça na intenção de esconder-me. Der repente sou surpreendida com um abraço forte, afetuoso, sem qualquer tipo de preconceito, sem qualquer tipo de interesse. Era meu irmão. Nossa! Senti tanto amor naquele momento, uma sensação quase indescritível. O amor fraternal masculino. Diferente de qualquer namorado que tive de qualquer relação sexual. Ele sentou ao meu lado e começamos a conversar muito, sobre vários assuntos. Tudo muito descontraído e feliz. Estranho, eu nunca tinha o visto, mas sabia quem era. E ele me conhecia muito, em detalhes. Perdemos a noção do tempo e espaço naquele momento. Acordei com uma sensação de felicidade, amor inexplicável. Chorei muito, e sabia que deveria registrar isso.
Minha mãe já havia comentado em outras ocasiões, que tivera grávida de um menino e o perdeu por aborto espontâneo. Disse que sempre sentiu sua presença e se estivesse vivo seria um ano mais velho que eu.
Sabe meu pai sempre foi ausente e nunca me deu um abraço afetuoso. Agora percebo que como me fez falta o afeto masculino. Pensar que foi por puro preconceito, é triste! Nós fomos privados desse amor. Pergunto, por quê?
Os homens sempre tiveram receio de se aproximar de mim, de conversar e demonstrar qualquer tipo de carinho em público. Eu de certa forma, compreendo, mas por que tem que ser assim? Às vezes me escondo evitando constrangimentos. Muitas vezes um simples olhar não foi retribuído. Se vocês soubessem quantos conhecidos, colegas, amigos, familiares... homens....me “viraram o cocho”. Sendo que pra mim bastava um discreto e simples sorriso.
É infelizmente funciona assim. Uma revoltante hipocrisia domina o ser. Quando existe algum tipo de interesse, seja sexual ou financeiro você possui o amor momentâneo. Mas esse sentimento rapidamente se transforma quando se é contrariado.
Bom, continuo em busca do amor verdadeiro. Quero que esse se torne realidade. É o que falta à humanidade.